Bem-vindos ao Futuro! *

O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa

 

O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) em Lisboa veio perturbar os confortados e confortar os perturbados.

Ignore o ponto de referência. Este museu promete trazer mais do que apenas uma nova linha de horizonte para a cidade, ao olhar para as implicações mais amplas da arquitetura no mundo da tecnologia e apresentando uma nova compreensão da condição atual da disciplina.

“O MAAT vai se concentrar na cultura contemporânea através de uma combinação de artes visuais e mídia, arquitetura e cidade, tecnologia e ciência, [e] sociedade e pensamento”, afirma a EDP num comunicado de imprensa.

Não há dúvida de que atualmente a tecnologia se está a tornar essencial, tanto na arquitetura quanto na experiência do museu. Estamos a atravessar um momento em que a tecnologia dá forma às coisas. Especialmente em arquitetura, o que é possível desenhar com um novo sistema digital e de edição de computador pode ser construído. Algo completamente diferente do que foi feito até então. Continue reading “Bem-vindos ao Futuro! *”

How machines are changing the way we work and think*

One of the first major evolution in architecture came with the Industrial Revolution that began in England about 1760. It was characterized by the radical changes at every level of civilization, but in architecture specially with the growth of heavy industry that brought a flood of new building materials. The mass production of iron, steel and glass in large quantities made them economically plausible as building materials. For architects and engineers it was a new dawn where devised structures hitherto undreamed of in function, size and form. Factories have evolved to new forms and utilities: they are the technology that are becoming part of us in our daily life.

We are now facing the same paradigm of (r)evolution as the one started in 1760: new materials and new ways of building – such as 3D printing, metamaterials, Virtual and augmented reality, and so on.  Architecture (similar to many other areas) is once again facing a massive disruption with a strong impact on society.

We have developed tools and technology to assist in the pursuit of our goals. Large shifts in technology have resulted in large shifts in social structures, and how individuals both contribute to society and make a living. Continue reading “How machines are changing the way we work and think*”

O conceito de ausência na Arquitetura*

Archigram e a invisibilidade tecnológica

 

A ausência é já um conceito existente e discutido na arquitetura. Como arquitetos, procuramos constantemente uma possível conexão entre as ideias arquitetónicas de diferentes épocas e contextos. Tendo como ponto de partida o conceito de “Presença-Ausência” na arquitetura, levantam-se algumas questões tendo em conta esta contradição:

O que significa “Presença-Ausência”?

Ausência marca presença, bem como presença marca ausência. Percebemos a presença pela sua existência na ausência, e concebemos a ausência pela não existência da presença. Portanto, presença e ausência complementam-se.

O que significa “Presença-Ausência” na arquitetura?

Presença e ausência marcam a arquitetura. A presença forma ausência, e ausência informa-nos da presença. A forma contém espaço, ao mesmo tempo que mantém a sua existência no espaço. Em arquitetura, extraímos o que está presente (sólido e forma), e utilizamos o que está ausente (vazio e espaço). Juntos, formam uma unidade, uma realidade inseparável.

O que significa arquitetura para “Presença-Ausência”?

“Presença-Ausência” é o modo de representar a arquitetura. Além disso, ao longo da história a arquitetura é uma representação da presença do homem neste mundo ausente. Será a arquitetura atual uma arquitetura de ausência, que deixa de representar a continuidade histórica? E existe uma “Arquitetura do Presente”, que marca a posição atual no continuum histórico? Caso houvesse, deveríamos, e como poderíamos, reapresentar o que está ausente na arquitetura atual, e simultaneamente representar a “Arquitetura do Presente”? Continue reading “O conceito de ausência na Arquitetura*”

O Bom, o Mau ou o Vilão*

De que forma o turismo está a transformar a nossa realidade urbana

 

Na sequência da perda da industria de manufactura em muitas áreas industriais nos anos 70 e 80, o turismo tem tido um papel fundamental na política de regeneração urbana e de frente ribeirinha devido à sua capacidade de gerar benefícios económicos substanciais para as comunidades. Isto, juntamente com uma série de outros factores, criou um fluxo de turismo de massa para certas cidades, em que Lisboa está incluída. O turismo de massa criou uma realidade paralela nas cidades e desenvolveu uma relação muito complexa com as formas urbanas das cidades. Mas antes que possamos discutir essas relações, é necessário esclarecer os conceitos de turismo e urbanidade.

Ser turista é uma das características da experiência moderna. É a sociedade moderna que proporciona todos os factores não só para que as pessoas viajem, como também a criação de destinos turísticos e serviços. Devido aos avanços tecnológicos, transporte de massa, a possibilidade de tempo de lazer e os valores das rendas disponíveis ter aumentado, as pessoas têm agora os meios e a oportunidade de viajar e explorar lugares diferentes. Além disso, são poucos os lugares no mundo que hoje não se tornaram destinos turísticos ou com uma estreita proximidade com eles e, o número total de pessoas que participam no turismo continua a crescer. Assim, a procura por viagens aumentou e a oferta de destinos turísticos e atracções também se distendeu para corresponder à exigência. Nos últimos trinta anos, houve uma mudança fundamental nos hábitos de consumo, incluindo no consumo de férias. Já não procuramos o pacote de férias no hotel de praia, mas sim, formas personalizadas de turismo, por exemplo, turismo urbano, turismo ecológico e turismo patrimonial. Consequentemente, surgiram novos destinos turísticos como destinos urbanos, sendo Lisboa um deles. Continue reading “O Bom, o Mau ou o Vilão*”

Sobre o ego e a arquitetura*

As grandes exposições internacionais de Arquitetura

“Qualquer arquitetura é exibicionista. Exposições não são simplesmente locais para apresentação da arquitetura, são locais para a incubação de novas formas de arquitetura e novos meios de se pensar sobre arquitetura”.

Beatriz Colomina

2016 é um ano de grande agitação e discussão para a disciplina da arquitetura, marcado por grandes exposições internacionais: a Bienal de Veneza, a Bienal de Roterdão, a Trienal de Arquitetura de Oslo, a Trienal de Arquitetura de Lisboa, entre outros.

As exposições internacionais de arquitetura pretendem ser um fórum de arquitetura global para o discurso interno sobre a arquitetura contemporânea, bem como um fórum para testar a reação do público de design contemporâneo. São momentos chave onde os arquitetos de todo o mundo se reúnem para partilharem, contemplarem e discutirem o seu trabalho com todos (arquitetos, críticos, teóricos, etc.). Obviamente não se trata apenas de mostrar projeto, mas sim mostrar projeto num determinado contexto. Existe um processo de seleção que valida determinado projeto pelas suas características inovadores em diversas dimensões. Podem ser projetos construídos ou não, ideias, estudos, ou de cariz tecnológico, mas que de alguma maneira sejam marcantes para a arquitetura contemporânea. Projetos que mereçam ser mostrados, analisados, debatidos e discutidos com outros arquitetos. Continue reading “Sobre o ego e a arquitetura*”