O Bom, o Mau ou o Vilão*

De que forma o turismo está a transformar a nossa realidade urbana

 

Na sequência da perda da industria de manufactura em muitas áreas industriais nos anos 70 e 80, o turismo tem tido um papel fundamental na política de regeneração urbana e de frente ribeirinha devido à sua capacidade de gerar benefícios económicos substanciais para as comunidades. Isto, juntamente com uma série de outros factores, criou um fluxo de turismo de massa para certas cidades, em que Lisboa está incluída. O turismo de massa criou uma realidade paralela nas cidades e desenvolveu uma relação muito complexa com as formas urbanas das cidades. Mas antes que possamos discutir essas relações, é necessário esclarecer os conceitos de turismo e urbanidade.

Ser turista é uma das características da experiência moderna. É a sociedade moderna que proporciona todos os factores não só para que as pessoas viajem, como também a criação de destinos turísticos e serviços. Devido aos avanços tecnológicos, transporte de massa, a possibilidade de tempo de lazer e os valores das rendas disponíveis ter aumentado, as pessoas têm agora os meios e a oportunidade de viajar e explorar lugares diferentes. Além disso, são poucos os lugares no mundo que hoje não se tornaram destinos turísticos ou com uma estreita proximidade com eles e, o número total de pessoas que participam no turismo continua a crescer. Assim, a procura por viagens aumentou e a oferta de destinos turísticos e atracções também se distendeu para corresponder à exigência. Nos últimos trinta anos, houve uma mudança fundamental nos hábitos de consumo, incluindo no consumo de férias. Já não procuramos o pacote de férias no hotel de praia, mas sim, formas personalizadas de turismo, por exemplo, turismo urbano, turismo ecológico e turismo patrimonial. Consequentemente, surgiram novos destinos turísticos como destinos urbanos, sendo Lisboa um deles. Continue reading “O Bom, o Mau ou o Vilão*”

2016 – O ano que mais se discutiu sobre Arquitectura

Primeiro em Veneza e Roterdão, mais tarde em Oslo, Istambul e Lisboa. 2016 foi o ano das grandes exposições internacionais em Arquitectura, por todo o mundo.

Em tom de melancolia, partilho algumas fotos das três exposições internacionais que tive oportunidade de visitar:

 

Bienal de Veneza

 

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How Tourism Is Shaping the Urban Realities *

Following the loss of heavy, manufacturing industry in many industrial areas in the 70s and 80s, tourism has featured extensively in urban and waterfront regeneration policy because of its ability to generate substantial economic benefits to destination communities. This, alongside a number of additional facts, has created a flux of mass tourism to certain cities, in which Lisbon is included. Mass tourism has created a parallel reality within cities and developed a very complex relation to cities’ urban forms. But before we can discuss these relations, I would like to shed some light on the concepts of tourism and urbanity.

To be a tourist is one of the characteristics of the modern experience, for it is modern society that has provided the enabling factors for people to travel and for the supply of tourism destinations, services and amenities. Indeed, for the majority of people living in developed countries, tourism is feasible. Due to technological advancements, mass transportation, the provision of leisure time and increasingly high levels of disposable income, people now have the means and opportunity to travel and explore different places. Continue reading “How Tourism Is Shaping the Urban Realities *”

Arquitetura e Corpo Humano*

Um diálogo com o espaço construído

 

A arquitetura é um ambiente de existência do corpo, mas pode também ser entendida como extensão do corpo, pele ou casca que intermedia a nossa relação com o mundo. O corpo e a cidade relacionam-se mesmo que involuntariamente, através da simples experiência urbana. A cidade é lida pelo corpo como um conjunto de condições interativas e o corpo expressa a síntese dessa interação através da sua corporalidade. Como Winston Churchill referiu, “nós moldamos os nossos edifícios; por consequência eles também nos moldam.”

Tanto a arquitetura como o corpo humano lidam com estruturas incrivelmente complexas e bonitas – edifícios e cérebros. É quando os dois se cruzam que se define a forma como percebemos, imaginamos, interpretamos e respondemos aos edifícios.

Os edifícios são fruto da imaginação dos nossos cérebros, e os nossos cérebros – e os nossos corpos – gastam uma média de 87% da sua existência em edifícios. Continue reading “Arquitetura e Corpo Humano*”

Tecnologia na Arquitetura *

De que forma as máquinas estão a mudar a nossa forma de trabalhar e pensar

Uma das primeiras grandes evoluções na arquitetura veio com a Revolução Industrial, que começou em Inglaterra cerca de 1760. Foi caracterizada por mudanças radicais a vários níveis, mas na arquitetura especialmente com o crescimento da indústria pesada que trouxe uma avalanche de novos materiais para a construção. A produção em massa de ferro, aço e vidro em grandes quantidades fê-los economicamente viáveis como materiais de construção. Para os arquitetos e engenheiros foi um despertar para estruturas e edifícios até então inimagináveis na função, tamanho e forma. As fábricas têm evoluído para novas formas e usos: transformaram-se na tecnologia que se está a tornar parte de nós e do nosso dia-a-dia.

Enfrentamos atualmente o mesmo paradigma de (r)evolução como aquele iniciado em 1760: novos materiais e novas formas de construção – como a impressão em 3D, metamateriais, realidade virtual e aumentada, etc. A arquitetura (tal como muitas outras áreas) está novamente a enfrentar uma enorme rutura com um forte impacto na sociedade. Continue reading “Tecnologia na Arquitetura *”